Semana PET Biologia-UFU de Empoderamento Feminino

Semana PET-Biologia de Empoderamento Feminino

125 anos de Bertha Lutz
 10/06/2019 - 08:30 até 14/06/2019 - 19:00
 Inscrições    petbiologiaufu@gmail.com   FacebookInstagram    (34) 3225-8501(34) 3225-8636

Apresentação

 

As desigualdades de gênero são acentuadas devido às ideologias advindas de traços culturais, religiosos, legais, dos modos de vida social e do próprio sistema educacional, e o ambiente universitário as reproduz e é ainda repleto de processos e estruturas que reforçam a posição de subordinação das mulheres.

Ao mesmo tempo, a Universidade ainda é um espaço privilegiado para o fomento de reflexões e ações de inversão desta injusta e desigual realidade. Sob uma perspectiva freiriana de ensino que garante ao sujeito evoluir de uma consciência ingênua para uma consciência crítica da sua condição atual, temos que o empoderamento pode ser posto como o aumento da conscientização que leva a desenvolver a criticidade e, consequentemente, ocasiona transformações sociais.

De fato, o conceito de empoderamento é abordado como uma estratégia conquistada por grupos historicamente apartados, e por mulheres em especial, para ressignificar suas próprias vidas e promover transformações sociais nas relações de domínio e subjugação. Concebe-se que as mulheres tornam-se empoderadas através da tomada de decisões coletivas e de mudanças individuais.

Em consonância com a contínua necessidade de oferta de estratégias e espaços de empoderamento feminino, e integrando-se às comemorações de 125 de nascimento da bióloga e política Bertha Maria Júlia Lutz, a maior ativista feminista brasileira de todos os tempos, o Grupo PET Biologia promoverá o evento Semana de Empoderamento Feminino - 125 anos de Bertha Lutz, destacando a importância de mais um espaço de formação feminista na Universidade.


Homenageada: Bertha Maria Júlia Lutz
(São Paulo, 2 de agosto de 1894 – Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1976)

 

Bertha Lutz foi uma bióloga, ativista feminista, e política brasileira. Especializou-se em anfíbios e descreveu e nomeou novas espécies de sapos. Há 100 anos, e aos 25 anos idade, tornou-se a primeira mulher concursada no Serviço Público Brasileiro, quando se tornou pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro e, em seguida, uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no Brasil e no mundo.

Líder do movimento que conseguiu significativos sucessos na conquista de direitos para as mulheres, Bertha Lutz inicia sua luta no Brasil após seu retorno da Sorbonne (França), onde estudou Biologia e também aprofundou-se no movimento feminista.

Em aqui chegando, causa curiosidade, repercutindo na imprensa sua participação no concurso para o Museu Nacional, o que foi considerado por alguns contra todas as boas normas da "moral e da família". Aprovada, tornou-se a segunda mulher a entrar para o serviço público no Brasil e a primeira por concurso público.

A partir de então Bertha Lutz organizou o I Congresso Feminista do Brasil, representou as brasileiras na Assembleia Geral da Liga das Mulheres Eleitoras (EUA), foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana das Mulheres e fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), da qual foi presidente até 1942 e cuja principal bandeira era a reivindicação do voto feminino. A FBPF é considerada a principal instituição coletiva de mulheres no país até a década de 1970, e de onde derivaram diversas outras associações.

Ainda, cria a União Universitária Feminina, que em 1961 passou a se chamar Associação Brasileira de Mulheres Universitárias. Um dos objetivos primordiais da organização era incentivar o estudo superior entre a a população feminina. Em 1937, a União foi convidada formalmente a participar da criação da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Em 24 de fevereiro de 1932, o novo Código Eleitoral aprovado no governo Vargas garantiu o direito de voto feminino no país, consolidando assim a luta sufragista capitaneada por Bertha.

Em 1933, a bióloga fundou a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas, e foi a representante brasileira na Conferência Internacional do Trabalho de 1944 (EUA). Após, Bertha Lutz integrou a delegação do Brasil à Conferência de São Francisco, em 1945, evento dedicado aredigir o texto definitivo da Carta das Nações Unidas. Durante o evento, Bertha empenhou-se para assegurar que a Carta fosse atualizada periodicamente, e seu grande mérito foi a luta para incluir menções sobre igualdade de gênero no documento. Embora quatro mulheres tenham assinado a Carta, apenas Bertha e a delegada da República Dominicana, Minerva Bernadino, defenderam os direitos femininos. 

Além de suas contribuições para a Zoologia e de seu empenho para impulsionar os ideais feministas no Brasil, a presença de Bertha Lutz foi marcante no campo da Educação. Bertha luta e consegue a admissão de meninas no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais no país, desde o Império até os dias atuais. Em 1924, ajudou na fundação da Associação Brasileira de Educação.

Preocupada ainda com a educação das mulheres no campo, Bertha realizou um estudo sobre a difusão de conhecimentos domésticos e agrícolas junto à população rural com vistas à fomentar a agricultura familiar.

Quanta luta! Esquecidas? Verdadeiramente NÃO. Reconheçamos e agradeçamos termos entre nós (universitários, biólogos, professores, funcionários públicos, feministas e brasileiros) o monumento da Humanidade que é Bertha Lutz!

Assista o vídeo acima, e veja mais sobre Bertha também aqui.


O lugar de fala é o lugar democrático em relação ao qual precisamos de diálogo, sob pena de comprometer a luta (Marcia Tiburi, Revista Cult, 29/03/2017)

Lugar de fala e lugar da dor 

Um xamã ou cacique, embora tenha um nome próprio, ao falar com os brancos fala de si como “índio” porque quer se fazer entender pelos não-índios. Assim as mulheres e as feministas que já desconstruíram o natural, também falam de si com intenção política, e também didática, de fazer o outro entender. Foi a partir daí que se começou a sustentar a ideia de um lugar de fala atualmente em voga na vida contemporânea. 

O lugar de fala é fundamental para expressar a singularidade e o direito de existir. Deturpado, ele também é reivindicado por muitos cidadãos autoritários que reivindicam expressar preconceitos e, em sua visão deturpada, o fazem democraticamente. Esquecem que o que destrói a democracia não é democrático, mas isso é outro problema.

Quando pensamos no lugar de fala do autoritário, vemos que esse lugar é realmente complexo. Se confundimos o lugar de fala com a expressão de uma verdade pessoal à qual não deveríamos reduzir a singularidade, sempre podemos usá-lo para fins autoritários. Por meio dele, podemos interromper a luta como um fascista o faz.

Não é possível falar do lugar de fala sem pressupor o diálogo enquanto reconhecimento do outro. Por isso é que se torna necessário separar o lugar de fala do lugar da dor. O lugar da dor é de cada um e em relação a ele só podemos ter escuta. Já o lugar de fala é o lugar democrático em relação ao qual precisamos de diálogo, sob pena de comprometer a luta.

Às vezes um lugar de fala pode ser um lugar de dor, às vezes um lugar de dor pode ser um lugar de fala. Se o lugar de fala é abstrato e silencia o outro onde deveria haver um diálogo, então ele já não é mais um lugar político, mas um lugar autoritário que destrói a política no sentido das relações humanas que visam o convívio e a melhoria das condições da vida em sociedade.

Talvez até agora não tenhamos avaliado uma questão, a de que a marcação implica uma dor. Aquele que é marcado como minoria, carrega a sua dor e toda dor deve ser respeitada. Mas para que o lugar da dor se torne lugar de fala, é preciso articular a dor, reconhecê-la, colocá-la em um lugar político, aquele lugar onde o outro está incluído como um sujeito de direitos que também tem a sua dor.

Mas se o lugar de fala – mesmo quando tenha vindo da dor – interrompe o diálogo, então ele corre o sério risco de estar contra si mesmo, de ter regredido a um momento que podemos chamar de anti-político. Se, de dentro da minha dor, eu elimino o diálogo, posso já ter deixado de lado a luta. Posso estar perdido em um exercício de puro ressentimento, no extremo – e há extremos – posso estar gozando na vingança ou na prepotência autoritária mascarada das mais belas lutas, tais como a da esquerda, do feminismo e do antirracismo.

Ora, ninguém está livre de afetos tristes em política. Quantas vezes não nos deixamos levar por vaidades, infantilismos, ressentimentos? Quantas vezes o moralismo burguês não toma nossos corpos e mentes e nos faz disputar com os próprios companheiros e companheiras quando deveríamos nos unir para combater os inimigos reais? Nesse sentido, falo com uma intenção que é a autocrítica da luta, em nome de uma ética da luta. Somente uma ético-política da luta sustenta a verdadeira política da luta. Pois a luta política sem ética é como a luta política sem política. A destruição da própria luta é a destruição da política. E vice-versa, pois política é luta.

Política da escuta

Nada é mais importante, no contexto das disputas dos lugares de fala, do que a política da escuta. Um homem branco, sujeito de privilégios, deve praticar essa política sempre. Um homem branco poderá ajudar muito a luta ao praticar essa ético-política da luta por meio da escuta e poderá, junto aos seus, ser um mensageiro de direitos que ele crê ou defende como sendo bons para a sociedade como um todo na pessoa de cada um dos seus participantes respeitados em suas singularidades.

A confusão atual sobre quem pode falar sobre o quê em temos de luta precisa ser desmanchada: assim como não deve haver hierarquias de opressão não deve haver hirarquia de luta. O protagonismo dos sujeitos marcados não pode se tornar motivo para que os marcados diferentemente não lutem por todos.

Pensando nisso é que pergunto a cada um, com a simplicidade da urgência, se a desunião vale a pena.


Você é Feminista? Claro, mesmo que não saiba:
 


 

Programação

Segunda-feira, dia 10/06/2019:

  • 07h30-8h30: Credenciamento;

      Local: Bloco 2A (Hall do auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 9h-10h e 10h30-12h: Roda de Conversa com o tema "Maternidade: do empoderamento do parto à desconstrução da mãe perfeita". Painelistas: Dra. Natália Mundim Tôrres (Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia), Psicóloga Ma. Alessandra Araújo (Rede de Atenção à Saúde das Mulheres da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia; Grupo Flore Ser Parto e Crias), Ginecologista e Obstreta Silvia Helena Caires de Oliveira (Hospital Santa Clara, Rede de Atenção à Saúde das Mulheres da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia) e Dra. Ana Paula Korndorfer (Doula, Grupo de Apoio à Maternidade Ativa). 

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 10h: Mini coffee-break.

      Local: Bloco 2A;

  • 13h-14h: Palestra intitulada "Machismos na Ciência". Ministrante: Dra. Taissa Rodrigues (Universidade Federal do Espírito Santo).

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 16h-17h: Coffee-break.

      Local: Bloco 2A;

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 4G (Biblioteca).


Terça-feira, dia 11/06/2019:

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 10h: Mini coffee-break. 

      Local: Bloco 2A;

  • 12h30-14h30: Mesa redonda intitulada "A roupa que nos define". Painelistas: Dra. Daniela Franco Carvalho (Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia) e Dra. Olenir Maria Mendes (Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia).

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 15h-16h: Palestra intitulada "Experiências by Amanda França". Palestrante: Amanda Cristina de Almeida França (Gestora Ambiental, Modelo, Miss Uberlândia Plus Size 2015). 

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 16h-17h: Coffee-break.

      Local: Bloco 2A;

  • 17h-18h: Palestra intitulada "Mulher: um corpo exposto, um corpo imposto, um corpo negado". Palestrante: Dra. Geórgia Cristina Amitrano (Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia). 

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 19h-21h: Oficina "Bordado e resistência: uma prática tradicional como potência para a autonomia feminina". Ministrantes: Lorena de Souza Rosa (Graduanda em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia) e Bióloga Lic. Esp. Ana Clara Santos Riff (Instituto Federal do Triângulo Mineiro, campus Uberlândia).

      Local: Bloco 8C (sala 8C-323).


Quarta-feira, dia 12/06/2019:

      Local: Bloco 8C (caramanchão);

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 8C, sala 8C-222;

  • 16h-17h: Coffee-break.

      Local: Bloco 2A;

  • 17h-18h: Palestra intitulada "Mulheres negras na Ciência". Palestrante: Ma. Vanilda Honória dos Santos (Escritório de Assessoria Jurídica Popular da Faculdade de Direito "Prof. Jacy de Assis" da Universidade Federal de Uberlândia). 

      Local: Bloco 2A (auditório);


Quinta-feira, dia 13/06/2019:

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 10h30: Mini coffee-break.

      Local: Bloco 2A

  • 10h:  Mini coffee-break paralelo. 

      Local: Bloco 8C (auditório);

  • 10h-12h: Palestra intitulada "Coletiva de Bruxas das Ciências - as MULHERES da UFRJ". Palestrante: Dra. Regina Maria Macedo Costa Dantas (Museu Nacional e Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro).

      Local: Bloco 8C (auditório);

  • 13h-14h30: Palestra intitulada "Mulheres em esportes 'atípicos' para o sexo feminino". Palestrantes: Educadora Física Meyriane Silva Ferreira e Fisioterapeuta Melissa Forster Sodré (jogadora do Saad Esporte Clube e do Club de Regatas Vasco da Gama, medalha de ouro pela seleção brasileira de futebol feminino nos Jogos Mundiais Militares Rio 2011).

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 14h30-15h: Coffee-break.

      Local: Bloco 2A;

  • 15h-18h: Mesa redonda intitulada "Empoderamento do corpo: sexualidade feminina"*. Painelista: Terapeuta Olívia Barbosa da Silva (Sex Coach University, Los Angeles-EUA).

      Local: Bloco 2A (auditório);

*Participação exclusiva feminina.
  • 18h-19h: Exposição Fotográfica

Local: Bloco 2A.


Sexta-feira, dia 14/06/2019:

  • 8h-9h: Palestra intitulada "Mulheres e Política: amor à democracia e pé na porta das opressões". Palestrante: Dra. Débora Prado (Instituto de Economia e Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia; Coordenadora do Grupo de Estudos sobre Gênero e Relações Internacionais - GENERI UFU). 

     Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 12h-13h: Palestra intitulada "Machismos cotidianos: como nós, homens, podemos apoiar o movimento?". Palestrante: Dr. Cristiano Barbosa (geógrafo, fotógrafo e cineasta, produtor cultural e sócio da produtora O Sopro do Tempo). 

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório);

  • 17h30-18h: Coffee-break.

      Local: Bloco 2A;

  • 18h: Encerramento.

      Local: Bloco 2A (auditório);

      Local: Bloco 2A (auditório).

Palestrantes

Alessandra é Mãe, Psicóloga, Doula, Mestre em Ciência

Gestora Ambiental, Modelo, Miss Uberlândia Plus Size 2015, @

Ana Paula é Doula desde 2011, com formação pelo Grupo

Sou historiadora sobre violência de gênero pela USP-S

Inscrições

Custo do evento: 
Evento pago
Período de inscrições: 
20/05/2019 - 17:00 até 13/06/2019 - 17:00

Localização

Campus Umuarama - Bloco(s) 2A - Sala(s) Auditório

Organização

Ysla Demétrio Cardoso

Discente do Grupo PET Biologia/UFU-Uberlândia

Coordenadora

Jenyffer Stefany Pereira Martins

Jhennyfer de Oliveira Silva

Vitória Buzatto Toledo

Discentes do Grupo PET Biologia/UFU-Uberlândia

Sub-coordenadoras

Jackeline Bianc Martins

Discente do Grupo PET Biologia/UFU-Uberlândia

Designer e Colaboradora

Camila Silva Chamone

Leonardo Marques Borges Júnior

Leonardo Santos Teixeira

Miriam Fidelis Silva Santos Colaboradora

Paulo Ricardo Freitag Jorge

Pedro Augusto Oliveira

Discentes do Grupo PET Biologia/UFU-Uberlândia

Colaboradores

Ana Clara Santos Riff

Instituto Federal do Triângulo Mineiro, campus Uberlândia

Natália Mundim Torres

Docente do Instituto de Biologia/UFU

Colaboradoras

Douglas Santos Riff

Tutor do Grupo PET Biologia/UFU-Uberlândia, Docente do Instituto de Biologia/UFU

Coordenador Responsável  

Outras Informações

Entre no clima do evento, apreciando as músicas especialmente selecionadas e reunidas na playlist exclusiva da Semana PET Biologia-UFU do Empoderamento Feminino, no aplicativo Spotify©.

 

Veja AQUI os lindos registros feitos por Luiz Ricardo, fotógrafo oficial da Semana PET Biologia-UFU do Empoderamento Feminino.

Veja AQUI outras fotos, e também vídeos, registrados pela Comissão Organizadora da Semana PET Biologia-UFU do Empoderamento Feminino.
 

Apoio

Sabiá Livros Uberlândia
Xalé Restaurante Self-service
Luiz Ricardo Fotografia

Realização

PET Biologia Uberlândia
Natureza do evento: